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Empresários queixam-se de falta de mão-de-obra na construção civil Abril 4, 2019

O sector da construção civil reergueu-se com a retoma económica, mas enfrenta agora grandes dificuldades no recrutamento da mão-de-obra. Gazeta das Caldas falou com dois construtores caldenses que testemunharam a falta de pedreiros, carpinteiros, estucadores, armadores de ferro e ladrilhadores. É que, antigamente, quem não gostava da escola ia para as obras, mas hoje todos preferem um trabalho mais limpo e menos esforçado fisicamente. As mulheres e os imigrantes podem ser uma solução para este problema.

O sector da construção civil foi um dos mais abalados pela crise, com milhares de pessoas a ficarem desempregadas devido à falta de trabalho e às insolvências. Mas a vida não pára e quem laborava no sector procurou alternativas noutras profissões e noutras latitudes.
Recentemente o presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, revelou ao jornal i que saem do país 100 trabalhadores da construção civil por dia.
Com a retoma económica aumentou o volume de obras e, com o incremento da construção, veio a escassez de mão-de-obra. Acresce que Lisboa tem absorvido os poucos trabalhadores disponíveis e que, mesmo assim, não são suficientes.
O problema da falta de mão-de-obra tem também a ver com uma mudança de paradigma – antigamente quem não gostava da escola ia para as obras, mas hoje essas pessoas preferem um trabalho mais limpo e menos esforçado fisicamente.
Ricardo Querido, da Henrique Querido Construções, falou com a Gazeta das Caldas precisamente num dia em que estava com problemas relacionados com a falta de pessoal. O sub-empreiteiro que a sua firma tinha contratado não havia aparecido para trabalhar porque não tinha homens suficientes para todas as obras. “Não tem sido fácil encontrar mão-de-obra, porque não é suficiente para as necessidades actuais e começa-se a ver o recrutamento no estrangeiro”, explicou.
No caso da Henrique Querido Construções já se nota a presença de vários trabalhadores indianos e brasileiros nas empresas que contrata. Mas o recrutamento no estrangeiro traz responsabilidades acrescidas: “abrimos as portas à mão-de-obra e não há problema nisso, mas traz questões humanas porque somos também responsáveis por estas pessoas”.
Ricardo Querido salienta que “há falta de formação na área” e que sente que “ninguém quer ir estudar para pedreiro”. Até nota uma evolução em subsectores que são necessários à construção, mas na área propriamente dita não há cursos.
“Sendo esta uma área tão importante para a economia do país, é difícil encontrar jovens que queiram ir trabalhar para as obras”, disse.
A escassez de pessoal “resolve-se também aumentando os salários base”, conta o empresário. Em média um servente começa com um salário base entre os 700 e os 800 euros e um pedreiro tira facilmente 1100 euros de salário base.
Mas estes valores não são concorrenciais com outros países da Europa e até fora dela pois muitos emigram para países asiáticos. Mas nos países europeus é fácil fazer o mesmo trabalho que em Portugal pelo triplo ou mais do salário.

Mulheres podem ser a solução

Recentemente saiu um artigo no DN em que o representante da Associação de Empresas de Construção Obras Públicas e Serviços (AECOPS), Ricardo Pedrosa, defendia que a entrada de mulheres em postos operacionais (e não apenas de gabinetes e chefias) do sector poderia ser uma das soluções. “Os empresários têm de mudar a sua mentalidade e aceitar as mudanças sociais à sua volta. Não há razão nenhuma para que a construção não evolua neste sentido. Aliás, é desejável que tal aconteça”, disse.
Para tal, o sector também deverá adoptar ao máximo as tecnologias, reduzindo a actividade manual e esbatendo as diferenças que existem.
O caldense Ricardo Querido mostra-se receptivo a essa ideia: “claro que sim! Não há diferenças, já vi mulheres nas obras e embora hoje ainda seja um sector muito masculino, estão abertas as portas”.

O papel dos cursos profissionais

Sérgio Pereira, da Agostinho Pereira Construções, testemunhou à Gazeta das Caldas um cenário semelhante em relação à dificuldade na contratação. Por exemplo, entregaram a alvenaria de um prédio a uma empresa que ficou de iniciar os trabalhos em Janeiro deste ano e que nunca mais apareceu. “Depois disso contactámos cerca de 10 pequenos empreiteiros que nos deram contactos e todos estavam ocupados, a maioria já tinha trabalho para o ano todo”, revelou. Conclusão: a obra ficou parada quase três meses.
“O pessoal indiferenciado, os serventes e ajudantes ainda vão passando à procura de trabalho. Agora pedreiros, carpinteiros, electricistas, estucadores e armadores de ferro há cada vez menos. Quem antes da crise preenchia esses lugares eram os estrangeiros e a maior parte deles foi embora”, contou. Actualmente é do Brasil que aparecem mais imigrantes para trabalhar neste sector, mas também vêm alguns de países africanos de língua portuguesa.
“Não estamos a ver soluções para o sector. Felizmente nas escolas técnicas há cursos de electricistas. Por exemplo, a ETEO e o CENFIM estão a formar técnicos em vários sectores, nos aquecimentos e climatização nas energias alternativas. Os empreiteiros que trabalham para nós aparecem aqui com estagiários e com indivíduos que depois ficaram lá a trabalhar”, referiu Sérgio Pereira.
O caldense elogia o caminho do ensino profissional, mas realça que “poucos saem da escola com o 12º ano e pensam que vão trabalhar para as obras porque era como andar para trás, mas as coisas estão a inverter-se”.
Sérgio Pereira nota que a ida de trabalhadores para o estrangeiro também trouxe coisas boas: “vários dos empreiteiros que trabalham connosco vão fazer muitos serviços a França e Espanha e consideram que compensa porque são bem pagos”.
Na sua óptica, a estratégia para o futuro não é nova nem exclusiva deste sector e passa pelo recrutamento no estrangeiro, em países menos desenvolvidos. “Por exemplo, na apanha da fruta na Fanadia já estão permanentemente indivíduos do Nepal que percebem daquilo e na altura da colheita vêm tantos quantos a lei permite”, recordou.
Enquanto empregador, não vê grandes diferenças em contratar um português ou um estrangeiro: “a única diferença é que regularmente têm que se ausentar para estar nas filas do SEF a tratar de papéis”. Ainda assim, na anterior vaga de imigração, Sérgio Pereira destaca a capacidade de aprendizagem dos imigrantes de Leste, que “tinham uma mentalidade virada para a resolução dos problemas e que era diferente da dos portugueses que trabalhavam na construção”. Sérgio Pereira critica ainda a extrema burocracia local.
Gazeta das Caldas tentou obter o depoimento da empresa Linto & Marques Lda., mas esta não se mostrou disponível.
Célia Roque, directora do Centro de Emprego das Caldas da Rainha, disse à Gazeta das Caldas que “a dificuldade de recrutar está a ser transversal a vários sectores de atividade e não apenas a construção civil”. O nosso jornal pediu ao IEFP dados estatísticos sobre o emprego neste sector, mas não obteve resposta.

Fonte: Gazeta Caldas

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